| "O modo de matar gado, primeira operação da charqueada, deve naturalmente influir sobre o asseio do estabelecimento, e infelizmente esse modo não é uniforme em todas as partes, nem igualmente aperfeiçoado; difere segundo as províncias e até, em certos lugares, segundo as charqueadas; na campanha de Montevidéu, e mesmo nas charqueadas limítrofes da Província do Rio Grande, os peões montam a cavalo; um deles estimula o animal recolhido num curral aberto agitando ante seus olhos um ponche colorado, e quando o novilho exasperado lança-se afinal sobre o agressor e entra a persegui-lo, outro peão armado de uma lança comprida cujo ferro tem feitio de meia lua, corre atrás do boi e corta-lhe o jarrete, abandonando-o logo que cai para ir atrás de outro boi preliminarmente excitado pelos mesmos meios; entretanto, um camarada ou um negro toma conta do animal e sangra-o; esse método não é sem perigo, mas por isso mesmo agrada aos hábitos aventurosos dos gaúchos. | |||||||||||||||||||||
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| Depois de salgada, a carne a carne empilha-se ali mesmo pra se lhe extrair a umidade, a qual corre com sal derretido e supérfluo num reservatório inferior, onde se lança subseqüentemente as costelas, as línguas e outras partes que se quer conservar na salmoura. | |||||||||||||||||||||
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| Esgotada que seja, a carne é levada do salgadeiro para os varais: assim é denominada uma grande extensão de terreno plantado de espeques arruados, de quatro a cinco palmos de altura, atravessados por varas compridas em que se suspendem as mantas para secarem pela ação do sol e dos ventos; quando se receia alguma chuva repentina, o toque de um sino chama, para os varais, todos os negros da charqueada, e coisa curiosa é ver como num instante a carne amontoada por porções nos mesmos varais se acha escondida debaixo dos couros que não permitem o menor acesso às águas do céu. | |||||||||||||||||||||
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| Estando a carne perfeitamente seca, é dis-posta em forma de grandes cubos oblongos assentado num chão artificial, levantado de três a quatro palmos, para dar passagem ao ar; nesse estado cobrem-se ainda de couros para esperar o embarque. | |||||||||||||||||||||
| [...] È uma ocupação regular distribuída segundo as forças de cada negro, no desempenho da qual o negro entra com tanto mais vontade que não se pode dissimular que alguma coisa tem de conforme o trabalho com suas inclinações. | |||||||||||||||||||||
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REFERÊNCIA: *Charqueadores do Rio Grande no texto refere-se ao núcleo charqueador pelotense que em 1839 pertencia a província de Rio Grande.
GRAVURA DE JEAN BAPTISTE DEBRET: "Engenho de Carne seca no Sul do Brasil" (Engenho de carne Brésilien). Aquarela sobre papel; 11,2 x 34,2; "J. B. Debret au Brezil 1829" Representação sobre aquarela de H. Rudolf Wendroth - "Dança dos negros em Pelotas, de 1857". |
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| pesquisa: Andréa Terra | Nativu Design | 2011 |